Por Radar LCA | Inteligência para quem decide sobre mobilidade corporativa
Imagine investir meses na construção de uma política de viagens, definir regras, limites de despesas, fornecedores preferenciais e fluxos de aprovação. Consequentemente, quase metade dos viajantes decide seguir outro caminho.
Esse é um dos principais achados da SAP Concur Global Business Travel Survey 2026: uma parcela significativa dos viajantes corporativos admite não cumprir integralmente a política da empresa.
À primeira vista, a conclusão parece simples: falta disciplina dos colaboradores.
Mas será que essa é realmente a causa?
Talvez a pergunta mais importante seja outra.
Por que pessoas que conhecem a política escolhem não segui-la?
Descumprimento nem sempre significa resistência
Durante muito tempo, políticas de viagens foram construídas sob uma lógica de controle: limitar gastos, padronizar processos e reduzir riscos.
Esses objetivos continuam sendo fundamentais.
O ponto é que o ambiente corporativo mudou.
As viagens se tornaram mais dinâmicas, as agendas mudam com frequência, decisões precisam ser tomadas rapidamente e os próprios viajantes passaram a comparar sua experiência corporativa com a facilidade encontrada em plataformas de consumo.
Quando reservar uma viagem fora da política é mais rápido do que seguir o processo interno, o problema dificilmente está apenas no comportamento do viajante.
Muitas vezes, ele está na experiência oferecida pela empresa.
Quando a política deixa de acompanhar a operação
Na prática, existem alguns sinais claros de que o desafio não está nas regras, mas na forma como elas são aplicadas.
Entre eles:
- Processos de aprovação excessivamente lentos.
- Ferramentas pouco intuitivas.
- Políticas desatualizadas em relação à realidade do negócio.
- Grande volume de exceções aprovadas manualmente.
- Falta de comunicação sobre o objetivo das regras.
Quando isso acontece, o colaborador passa a enxergar a política como um obstáculo, e não como uma ferramenta de gestão.
O resultado é previsível: aumento das reservas fora do canal oficial, perda de visibilidade sobre despesas, menor poder de negociação com fornecedores e redução da capacidade de controlar riscos.
O verdadeiro custo da baixa adesão
Quando uma empresa mede apenas o volume de reservas fora da política, ela enxerga apenas a consequência.
Os impactos são muito maiores.
Entre eles:
- perda de economia negociada;
- informações incompletas para tomada de decisão;
- dificuldade para localizar viajantes em situações de emergência;
- aumento do trabalho operacional para aprovar exceções;
- menor previsibilidade financeira;
- enfraquecimento da governança corporativa.
Resumindo, o custo não está apenas na passagem mais cara.
Está na perda de controle sobre toda a operação.
A tecnologia resolve tudo?
A resposta é não.
Uma boa plataforma facilita o cumprimento da política, automatiza aprovações, apresenta opções aderentes às regras e reduz o trabalho operacional.
Em conclusão, tecnologia, sozinha, não cria aderência.
Empresas com alto nível de conformidade costumam combinar três elementos:
Tecnologia, que simplifica a experiência do usuário.
Dados, que mostram onde estão os gargalos, as exceções recorrentes e as oportunidades de melhoria.
Especialistas, capazes de revisar políticas, interpretar indicadores e adaptar processos às necessidades reais do negócio.
É justamente essa combinação que transforma compliance em eficiência.
Talvez a política esteja funcionando exatamente como foi desenhada. O processo é que não.
Toda vez que um colaborador deixa de seguir a política, existe uma oportunidade de aprendizado.
Em vez de perguntar “quem descumpriu a regra?”, talvez seja mais produtivo perguntar:
- A política continua compatível com a realidade da empresa?
- O fluxo de aprovação faz sentido para quem precisa viajar?
- Existem etapas que poderiam ser automatizadas?
- As exceções mostram problemas pontuais ou falhas estruturais?
- Os indicadores de viagens estão sendo utilizados para revisar processos?
Empresas mais maduras deixam de tratar a política como um documento estático e passam a enxergá-la como um instrumento vivo de gestão.
O futuro da gestão de viagens passa pela experiência
Controlar custos continuará sendo uma prioridade.
Mas, cada vez mais, empresas precisarão equilibrar governança, agilidade e experiência do viajante.
Uma política eficiente não é necessariamente a mais rígida.
É aquela que consegue ser seguida naturalmente, pois foi construída para apoiar a operação, e não dificultá-la.
Na LCA, acreditamos que uma gestão inteligente de viagens nasce da combinação entre tecnologia, dados e consultoria especializada. Mais do que garantir conformidade, ajudamos empresas a transformar suas políticas em processos eficientes, capazes de gerar controle, economia e uma melhor experiência para quem viaja.
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